Há dez dias em greve de fome por Justiça no STF, militantes seguem em luta e conseguem audiência com ministro Lewandowski

Compartilhe: Facebook Twitter Google+



Sete militantes sociais ligados à Via Campesina e movimentos urbanos estão em greve de fome há dez dias, pela liberdade de Lula, em frente ao STF, em Brasília (DF). Em manifesto, os grevistas fizeram um apelo ao STF para que decida em favor da presunção de inocência garantida na Constituição até o final do trânsito em julgado, o que daria ao ex-presidente a condição de liberdade e de candidato do povo nas eleições presidenciais.

Os militantes Zonália Santos, Jaime Amorim e Vilmar Pacífico (do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST), Rafaela Alves e Frei Sérgio Görgen (do Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA) e Luiz Gonzaga, o Gegê (da Central dos Movimentos Populares – CMP) completaram dez dias sem ingestão de nenhum alimento, apenas água e soro. Nesta segunda-feira mais um militante se somou à greve: Leonardo Armando, do Levante Popular da Juventude.

Greve de fome para que outros não passem fome


Os manifestantes afirmam que a greve de fome foi uma opção livre e consciente para evitar que a população brasileira sofra dessa mazela social por imposição. “A fome representa aqui o desprezo pelo ser humano, como se os pobres não precisassem viver. Isso é muito forte e doloroso!”, conclui Zonália Santos.

Segundo o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), “o país está em um momento decisivo de sua conjuntura e uma série de ofensivas por parte do campo dos trabalhadores estão sendo empreendidas para influenciar a agenda política”,

“A greve de fome que a gente está realizando aqui em Brasília é contra a fome. É para que outros não passem fome”, anuncia Frei Sérgio. Para eles, o projeto instalado com o golpe de 2016 impacta nas camadas mais pobres, com aumento da fome e violência, perda de direitos no que toca saúde e educação e total desprezo pela soberania nacional.

Para reverter isso, eles apontam que o povo já escolheu seu caminho: a libertação e a condução de Lula à Presidência, como homem-símbolo de um projeto de combate à pobreza e à fome. “Por isso, essa greve de fome também é pela liberdade de Lula e seu direito de ser candidato. Ele está lá condenado e trancafiado em Curitiba porque representa a ideia de que não se pode sustentar os privilégios da elite às custas da fome do povo”, explica Görgen.

Lewandowski, do STF, aceita receber militantes há 10 dias em greve de fome


Os sete militantes em greve de fome pela liberdade de Lula serão recebidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski. O ministro Marco Aurélio Mello também poderá receber os grevistas de fome nos próximos dias, segundo Frei Sérgio Gorgen, um dos grevistas.

Na quarta-feira (8), o senador Roberto Requião entrevistou os grevistas no Centro Cultural Brasília. “Os grevistas mostraram que são sérios e que têm um projeto além da libertação de Lula. É também pela libertação do Brasil”, testemunhou o parlamentar.

Há dez dias sem comer nada, os grevistas já começam a passar mal. Segundo o grupo formado por militantes de pequenos agricultores e sem terra, Zonália Santos, de Rondônia, precisou ser hospitalizada ontem.

“O Supremo dirá quando a greve de fome terminará”, declarou Frei Sérgio.


MANIFESTO DA GREVE DE FOME
BRASÍLIA – DF, 31 DE JULHO DE 2018


Nós, militantes dos movimentos populares do campo e da cidade, ingressamos conscientemente na “Greve de Fome por Justiça no STF”, iniciada no dia 31 de Julho de 2018 em Brasília, por tempo indeterminado. Nossa opção por esse gesto extremo de luta decorre da situação extrema na qual se encontra nossa Nação, com a fome e as epidemias retornando e o desemprego desgraçando a vida de nosso povo. O que motiva nossa decisão é a dor e o sofrimento dos brasileiros e brasileiras. Nossa determinação nasce também pelo fato de que o Poder Judiciário viola a Constituição e impede o povo de escolher pelo voto, soberanamente, o seu Presidente e o futuro do país.

Nosso gesto quer denunciar, defender e apelar.

1. Denunciamos a volta da fome, o sofrimento e o abandono dos mais pobres, sobretudo as pessoas em situação de rua, das periferias, os negros, indígenas, camponeses, sem terra, assentados, quilombolas e desempregados;

2. Denunciamos o aumento da violência que ataca, sobretudo, mulheres, jovens, negros e LGBTs;

3. Denunciamos a situação dos doentes, da saúde pública, das pessoas com deficiência, a volta das epidemias e da mortalidade de crianças;

4. Denunciamos os ataques à educação pública, que deixam a juventude sem perspectiva de vida;

5. Denunciamos a volta da carestia, o aumento do preço do gás, da comida e dos combustíveis;

6. Denunciamos as tentativas de aniquilamento da soberania nacional, através da entrega de nossas riquezas ao capital estrangeiro: Amazônia, terra, petróleo, energia, biodiversidade, água, minérios e empresas públicas essenciais à geração de emprego e ao bem estar do povo;

7. Nos indignamos e não aceitamos o sacrifício anunciado de duas gerações: as crianças e os jovens;
8. Defendemos o direito do povo escolher livremente, pelo voto, seu próprio destino, elegendo à Presidência o candidato de sua preferência;

9. Defendemos a volta da plenitude da democracia e a vigência integral dos direitos fundamentais presentes na Constituição Federal, hoje negada e pisoteada;

10. Apelamos ao Supremo Tribunal Federal pelo fim das condenações sem crime, das prisões ilegais sem amparo na Constituição e pela libertação imediata do Presidente Lula, para que possa ser votado pelo povo brasileiro.

A situação de desespero do povo tem muitas causas. Neste momento, entretanto, os agentes diretos pelo massacre, pela a injustiça e pela destruição da Constituição, têm nome e sobrenome: são donos da rede globo e estão nos tribunais em Curitiba e Porto Alegre. São responsáveis pelo que acontecer com qualquer dos Grevistas de Fome.

Apelamos aos Ministros do Supremo Luiz Edson Fachin, Cármen Lúcia, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux e Alexandre de Moraes para que respeitem a Constituição, garantam o retorno à normalidade democrática, anulem a condenação sem crime do presidente Lula, reponham o direito à presunção de inocência e o direito do povo de escolher seu presidente de forma livre e democrática. São eles também responsáveis caso algo grave aconteça aos que estão em greve de fome.

Afirmamos que nossa greve de fome é uma escolha livre e consciente para evitar que nosso povo volte a passar fome por imposição.

Tomamos a decisão de iniciar esta Greve de Fome e colocamos as decisões dos Ministros do Supremo Tribunal Federal como condicionantes para seu encerramento, atendendo aos clamores da maioria do povo brasileiro.

Acreditamos no povo brasileiro, nas possibilidades de nossa Nação e temos a firme esperança de que vamos superar este momento grave de nossa história para inaugurar uma nova fase de justiça e fraternidade na vida das brasileiras e dos brasileiros.

Jaime Amorim
Luiz Gonzaga da Silva
Rafaela Alves
Frei Sérgio Görgen
Vilmar Pacífico
Zonália Santos


Com informações da Rede Soberania, Blog do Esmael e Brasil 247


INFORMAÇÕES PARA CONTATO

Rua Vicente da Fontoura, 1262/203
Rio Branco - Porto Alegre/RS.

Telefone: (51) 3235-2265

E-mail: feteesul@feteesul.org.br